sábado, 2 de abril de 2011

Uma história de amor

Não foi amor à primeira vista . Foi gradual .
Com o tempo ele começou a reparar nela . 

Já com ela foi uma história diferente . Ela só se deu conta da atenção que ele lhe dava, por causa de uma amiga de uma amiga mais observadora . Quando ouviu tal coisa não acreditou . "Como é possível tal coisa ?", pensou .
Apesar de um coração esperançoso, a sua cabeça não a deixava acreditar . Já tinha passado tanto tempo, desde que um rapaz tinha demonstrado qualquer interesse nela . Na verdade tal acontecimento só ocorrera duas vezes na sua vida, dentro do seu conhecimento . E nenhuma delas envolveu realmente amor ou, sequer, o conceito gostar . Isto porque, na primeira eram ambos crianças e, na segunda, ela tem consciência que foi vista apenas como oportunidade, nada mais .
Além disso, ela sabia o que acontecera na última relação dele .

E, assim, chegámos a um impasse : ele não avançava, não passava de pequenos gestos, de pequenas falas .
E ela ... Bem, ela simplesmente não acreditava e, acima de tudo, desejava que fosse mentira .

No entanto, devido à conversa com a amiga, ela ficou inconscientemente mais consciente das acções dele .
Inevitavelmente, o que lhe era antes difícil de acreditar, começou a parecer-lhe credível . E, isso assustou-a .
No entanto, ela queria saber a verdade . Por isso, começou a responder-lhe subtilmente, com simples "Olás" ou "Adeus" . E isto, mudou tudo .

Mas não foi para melhor . Ao fim de um "Adeus", a postura dele mudou . De repente, as pequenas atenções desapareceram e, vendo o seu desinteresse, o seu coração entristeceu um pouco, pois perdera esperanças . Esperanças de descobrir alguém que a visse como mais do que uma vulgar oportunidade .
"Esquecer", foi a palavra que se formou na sua cabeça .

Um mês depois, tudo mudou outra vez . Mas desta vez, ela não sabia .

Um dia, o acaso conjurou-lhes um pequeno tempo a sós, num pequeno café . E, do nada, ele vira-se para ela e pergunta-lhe, como se fosse a coisa mais fácil do mundo de perguntar: "Queres namorar comigo ?"
É claro que ela foi apanhada totalmente de surpresa, no entanto, a única coisa que lhe veio à cabeça foi : "O que é que me ofereces ?"
Naquele momento, foi a vez dele de expressar o seu olhar surpreendido . A resposta dela levou-o a ficar em silêncio, fitando-a durante vários segundos .
E, assim, o coração dela estalou . Ele não fez qualquer ruído, no entanto, ela sentiu-o . "Como é possível um rapaz pedir uma rapariga em namoro, e não conseguir responder à questão mais simples de todas ?"
Ela fitou-o no olhos e disse-lhe : "Eu sei do que aconteceu na tua relação anterior ? Também estás a planear desinteressares-te por mim, assim que eu comece a namorar contigo ? E, depois acabar tudo, como se nunca tivesses sentido nada ?". Virando costas, preparou-se para deixar o café e, principalmente, para nunca mais ver a cara dele .
Um puxão no seu braço obrigou-a a voltar-se e, de repente, sentiu os lábios dele nos seus . Completamente espantada, não conseguiu reagir . Então, ele largou-a e, assim que se viu livre dele, ela deu-lhe uma bofetada na cara .
Atónito, ele olhou para ela e, ouviu-a dizer no tom mais frio e, estranhamente calmo : "Nunca mais toques em mim !". O olha dela era duro e tão frio quanto a sua voz .
Furiosa e indignada, ela saiu do café, enquanto o rapaz, que tinha ficado especado, a olhar, reagiu e correu atrás dela . Ele gritou o nome dela, pedindo-lhe para parar . Pedido a que, sem saber porquê, ela obedeceu .
Então, ele disse-lhe, olhando-a nos olhos: "Eu gosto de ti ! Não sei se é suficiente, mas eu quero-te ao meu lado ... Já não consigo manter-me longe de ti .".
Depois de uma pausa para se acalmar, continuou: "Não sei o que ouviste sobre a minha última relação, mas a verdade é que eu gostei dela durante muito tempo e, também a pedi em namoro, mas ela recusou. Por isso, decidi esquecê-la . E, foi então que ela começou a gostar de mim e assunto do namoro voltou ao de cima . Pensando que ainda gostava dela, aceitei . Agora sei que foi um erro, quando a beijava não sentia nada, por isso não tinha vontade de estar com ela, mas também não conseguia acabar tudo . Acho que sou demasiado cobarde nestes assuntos ."
Finalmente , ele viu um brilho de calor nos olhos dela . Durante todo aquele tempo ela ouvira, mas a expressão continuava igual à que tinha quando deixou o café .
Fitando-o nos olhos, ela retorquiu : "Mesmo assim, não conseguiste responder à minha primeira pergunta ."
"Eu ofereço-te o que quiseres !"
"A verdade é que não me conheces, por isso, desculpa, mas não consigo acreditar nos teus sentimentos . Se queres que eu namore contigo, tens que me conquistar e conhecer. Se eu for conquistada, posso aceitar a tua proposta ."
"Mas ... Não entendo . "
"É simples, só tens que falar . Depois do que aconteceu, se eu te julgasse, já o tinha feito . Não tens razão para recear falar comigo, certo ?"
"Acho que sim", respondeu com uma pequena dose de nervosismo na voz .

Despediram-se e essa despedida marcou uma nova era para os dois . Ela estava expectante por saber se conseguiria apaixonar-se e, ao mesmo tempo, receava o que vinha a seguir . Ele não sabia exactamente o que fazer ou sentir .

Dois meses depois, quando já se conheciam imensamente bem e, todos os colegas já perguntavam constantemente se eram namorados, algo aconteceu .
No mesmo café onde tudo tinha começado, eles conversavam, como já era costume e, quando já estavam de saída, o rapaz disse : "Amor ".
A rapariga esboçou um enorme sorriso, mas como estava virada de costas ele não reparou . Quando chegaram cá fora, já fora do alcance do café, onde estavam alguns conhecidos, numa pequena viela, ele perguntou-lhe : "Ouviste o que eu disse há pouco ? "
Então a rapariga parou e virou-se. Os seus olhos brilhavam intensamente, expressando a felicidade que ela sentia naquele momento . Ao longo daqueles dois meses, também ela se apaixonara por ele e, já só esperava aquela resposta .
Abraçaram-se, como se estivessem a despedir, fortemente . Quando se afastaram o rapaz deu-lhe um beijo na testa e perguntou-lhe, mais uma vez : "Queres namorar comigo?"
Desta vez foi ele a receber um beijo, docemente malicioso, ao de leve no canto dos seus lábios . Sorrindo, a rapariga observava a surpresa do rapaz .
E, finalmente, juntos percorreram a velha viela de mãos dadas sorrindo como crianças inocentes, enquanto um novo começo se iniciava, nas suas vidas .
FIM