domingo, 19 de dezembro de 2010

A palavra L

Ela esperava. Eram já quatro da manhã. O seu rosto estava sereno e confiante, pois, depois de tudo o que tinham passado, ela acreditava nele com todas as suas forças.
Um clique ecoou no sombrio apartamento. Ele tinha chegado.
Ela estava no quarto há sua espera tal como lhe prometera. Ele sorria, pensando em tudo o que acontecera até àquele momento. Eles estavam finalmente livres: livres para se amarem, livres para viverem juntos, livres para se aceitarem completamente, livres .
Ele sentou-se na cama e ela aproximou-se devagar, abraçando-o lentamente, enquanto ele se deixava ficar e suspirava de alívio e felicidade. 
Então, beijaram-se, acariciaram-se e entregaram-se um ao outro. A noite passou.
O dia amanheceu, vendo o sol a espreguiçar os seus raios. Estes atravessavam a janela batendo no ombro dela, enquanto ele observava esse ponto, pensando que tinha um anjo ao seu lado e, que para sua felicidade, esse anjo era seu.
Ela também estava acordada, observando aqueles olhos escuros, profundos como o próprio abismo, que a olhavam. Agora estava protegida e podia ser feliz outra vez. Um arrepio quente percorreu o seu corpo.
Mais uma vez, abraçaram-se.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Correr

Tenho vontade de correr . 
Subir, mais uma vez, a mesma velha estrada, rodeada das mesmas velhas árvores . Algumas, mais velhas do que eu, perdidas naqueles intermináveis, e, ao mesmo tempo, breves montes .
Quero ouvir, mais uma vez, os sussurros dessas árvores, as suas pequenas risadas de criança, inocentes, suaves, e gentis, a sua simples felicidade, que corre através dos seus longos galhos e das suas irrequietas folhas.
Quero poder sentir os seus desejos, mais uma vez .
Quero poder ouvir os meus próprios desejos, abandonados, na parte mais profunda do meu coração, os únicos que me mostram as minhas desilusões, as minhas verdades, as minhas perdas, tudo . Todo o meu ser .
Correr, correr freneticamente, desejar, lutar, ter vontade... quero tudo isto, todo este frenesim .
Quero sentir outra vez... sentir esse breve momento em que parece que posso ter tudo, em que posso fazer tudo . Esse momento em que me sinto limpa e pura, como um diamante em bruto . E, nesse momento, a minha única companhia são as velhas árvores, simples e naturais como só elas podiam ser .
Quero liberdade .
Vou correr, mais uma vez .