sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Correr

Tenho vontade de correr . 
Subir, mais uma vez, a mesma velha estrada, rodeada das mesmas velhas árvores . Algumas, mais velhas do que eu, perdidas naqueles intermináveis, e, ao mesmo tempo, breves montes .
Quero ouvir, mais uma vez, os sussurros dessas árvores, as suas pequenas risadas de criança, inocentes, suaves, e gentis, a sua simples felicidade, que corre através dos seus longos galhos e das suas irrequietas folhas.
Quero poder sentir os seus desejos, mais uma vez .
Quero poder ouvir os meus próprios desejos, abandonados, na parte mais profunda do meu coração, os únicos que me mostram as minhas desilusões, as minhas verdades, as minhas perdas, tudo . Todo o meu ser .
Correr, correr freneticamente, desejar, lutar, ter vontade... quero tudo isto, todo este frenesim .
Quero sentir outra vez... sentir esse breve momento em que parece que posso ter tudo, em que posso fazer tudo . Esse momento em que me sinto limpa e pura, como um diamante em bruto . E, nesse momento, a minha única companhia são as velhas árvores, simples e naturais como só elas podiam ser .
Quero liberdade .
Vou correr, mais uma vez .


1 comentário:

  1. para mim torna-se complicado, inicialmente, perceber o que queres dizer, sempre olhei para a corrida como uma fuga, não uma forma de reencontro com a natureza, com o passado mais puro. mas sempre que releio vou apreendendo mais um pouco, uma corrida para que algo do passado regresse ao presente. o ambiente pacífico, equilibrado, sereno.
    (claro que isto é a minha visão, subjectiva, elaborada a partir da forma como tu descreves este episódio, que pode em nada ter a ver com a(s) vivência(s) que originou/aram a narração.)

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